Depoimento de Carolina Santos, Campinas (São Paulo), fevereiro de 2013

No começo de 2013, tive a oportunidade de viajar para a Europa e, dentre tantas coisas que busquei nessa jornada, me preparei para conhecer pessoalmente a família tcheca e o país onde se originaram tais aspectos culturais, com os quais sempre tive contato. Tanto para mim como para a família que deixei por um mês e meio no Brasil foi algo muito significativo, e, mesmo sabendo que passaria por dificuldades por não ter conhecimentos do idioma, resolvi seguir em frente e vivenciar essa experiência.

Estive por aproximadamente 2 semanas na República Tcheca e, inicialmente, estive com uma amiga brasileira em Praga, onde conhecemos jovens tchecas (com as quais nos comunicávamos em inglês), que foram muito simpáticas e amáveis conosco. Uma delas, inclusive, deixou o próprio apartamento para que ficássemos lá por 3 noites! Senti uma receptividade muito grande e, embora ainda não tivesse tido contato com nenhum familiar, senti que estávamos sendo acolhidas como que por nossa família. Conhecemos muito da cidade, que nos encantou por ser tão bela e rica em sua história.

O próximo destino foi Liberec, onde os amigos Petra e Ivám também foram muito amáveis e receptivos – ela já havia sido professora de tcheco no Brasil e, portanto, pudemos nos comunicar em português. Exercendo sua paixão pedagógica, ela me deu uma aula de tcheco, em que aprendi algumas palavras e frases fundamentais para a difícil comunicação que teria a seguir.

Mesmo me sentindo um pouco mais preparada em relação ao idioma, as dificuldades comunicativas se exacerbaram nos próximos dias, quando estive em Jihlava, Brno e Otrokovice e conheci as famílias de primos da minha avó que lá viviam. Pela primeira vez, me senti totalmente impotente por não conseguir expressar muito (ou quase nada) do que sentia. Embora algumas pessoas tenham me alertado a respeito da dificuldade de comunicação e até incompreendido o que fui buscar com esse contato, em nenhum momento pensei sobre o que seria realmente essa barreira, simplesmente fui e vivenciei... E realmente não foi fácil. Foi tudo muito intenso, conhecer pessoas que vivem a mais de 10.000 km de você e ver que te recebem incrivelmente bem, têm recordações suas, têm marcado o dia do seu aniversário, e fazem de tudo para que você esteja bem... Duas priminhas me receberam com desenhos lindos de boas vindas! Isso tudo desperta várias emoções, as quais eu simplesmente não conseguia expressar, por não falar o idioma. Demorou um pouco para superar essa barreira comunicativa, e explorar alternativas que estavam ao nosso alcance – dicionários, tradutores e mímicas. Ajudou muito todos os familiares estarem muito abertos e auxiliarem da melhor forma possível com nossa dificuldade de comunicação, explorando junto tais alternativas.

Enquanto isso, no Brasil todos acompanhavam muito emocionados e felizes tudo que acontecia, diariamente pelo Skype. Minha avó se realizou por eu estar lá, principalmente quando fui a Zlin, onde ela nasceu e viveu por 7 anos, e passei pela casa onde viveu, pelo hospital onde nasceu e pela escola de seu irmão. Fiz um vídeo na rua da casa em que viveu, e lhe trouxe folhas, frutos e sementes de lá.

 

Foi tudo muito intenso para todos e, quando deixei o país, senti como havia me apegado a tudo e todos. Hoje, penso em procurar meios de voltar ao país, talvez estudar lá, e penso em estudar tcheco aqui no Brasil.