Intercâmbio entre culturas Brasil e República Tcheca

No campo da música, a cultura brasileira tem palco certo e sabido no exterior. Muitos músicos tem público fora e tem em suas agendas shows e concertos anualmente em países como Italia, França, Alemanha, Portugal, Espanha. Na República Tcheca, um dos músicos brasilerios que tem público é o cantor pernambucano Lenine. Em turnê pela Europa em 2004, uma das cidades em que teve shows programados foi Praga. Em entrevista posterior disse que ficou surpreso com o público balbuciando alguma palavras em português e não imaginava ver tchecos cantando suas músicas. O disco tinha sido divulgado e os fãs já sabiam cantar alguma coisa.

A Bossa Nossa, cria brasileira, também é seguida por artistas tchecos. O cantor e compositor Jaromír Nohavica tem em seu disco Koncert a música, com a típica batida de violão,  CUKRÁŘSKÁ BOSSANOVA. A barreira da língua é ainda, talvez, um obstáculo para a vinda de artistas brasileiros para o país. Mas, claro, muitas vezes isso é minimizado através do som e acordes que a música brasileira têm.  Artistas independentes que vivem em Praga, por exemplo, tocam em bares e restaurantes e em seus repertórios não faltam MPB, forró e samba.

Há universidades com cursos especializados na cultura brasileira. Três universidades, são elas: Universidade Masaryk em Brno, Universidade Palackého em Olomouc, Universidade Carlos em Praga. Alguns eventos geram oportunidades para observar o desenvolvimento das pesquisas dos alunos tchecos sobre assuntos ligados à política, cultura, música, literatura e história do Brasil. Inclusive o Museu de Emigração para o Brasil também está presente nesses eventos que servem como momento importante de intercâmbio e conhecimento de ambas as culturas.

Na literatura também vale ressaltar que autores brasileiros já são traduzidos para o tcheco, e não é de hoje. O compositor Chico Buarque de Hollanda teve seu livro Budapeste traduzido para a língua tcheca. Muito antes,  clássicos de Jorge Amado e Raquel de Queiroz também. Por outro lado, o escritor tcheco Ivan Klíma teve seu “Amor e Lixo” traduzido para o português. O escritor Paulo Coelho é bem lido na República Tcheca, é fácil encontrar alguém lendo um de seus livros dentro do metro, ou encontrar seus bestsellers nas vitrines das livrarias.

Quando se fala em turismo, os brasileiros já somam um número importante em terras tchecas. Não é tão difícil ouvir português nas ruas da cidade em pontos turísticos, como em frente ao relógio astronômico ou na Ponte Carlos, nos períodos de alta estação. Já existem empresas especializadas para trabalhar com turistas vindos do Brasil. Geralmente são grupos que fazem o bloco Leste Europeu e incluem Praga como destino.

Em uma das mais famosas igrejas da cidade, a de Nossa Senhora Vitoriosa, onde está a imagem do Menino Jesus de Praga, fica também a imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. A cópia da imagem foi doada em 17 de setembro de 2007 em cerimônia com a presença de autoridades e representou uma ligação entre os dois países. Foi dito na época que a devoção do povo brasileiros iria aumentar o cristianismo local com a presença da imagem.  A República Tcheca tem centenas de igrejas, mas contrário à esse número, os tchecos não são religiosos. E é indiscutível a fé do povo brasileiros e a sua devoção aos santos.

Outro enlace entre os países foi feito através da EMBRAER(Empresa Brasileira de Aeroáutica), para fabricação do avião cargueiro KC-390. A República Tcheca fornecerá as aeroestruturas para a aeronave construída no Brasil. Além de trabalhar em conjunto através do Aero Vodochody, fabricante aeroespacial tcheco, que paraticipará também do projeto.

Com esses exemplos, entre outros, é visível a cooperação entre os país, ainda que pequena, se comparada a outros, porém  em desenvolvimento.  Para os brasileiros interessados em visitar o país, é bom observar algumas exigências legais como:  ter um passaporte válido por 180 dias; seguro viagem internacional; comprovantes de recursos financeiros suficientes para o período da estadia e de hospedagem. O tempo de estadia sem visto é de 90 dias para turistas brasileiros.

Texto por Roberta Clarissa Leite